Respirante em ebulição.

Luiza Sarmento, Brazil

30.1.10

Vitória



Vitória , Vitória…
Da coxia da sua vida
Já bolava sua história.

Filha de um lampejo
De um desejo do destino
Quis a sorte que a sorte nos brindasse
Com um presente inesperado,
Com seu nome como hino.

Vitória! Vitória!
Sua luz resplandeceu
Um Buda nasceu
Venceu a latência
Floriu a urgência da vida.
Feminina, iluminada, destemida…
E o universo se viu seduzido.

Vitória! Vitória querida,
Se chegue e aproveite dessa lida
Sonora, saborosa, tátil, colorida.
Nem sempre sera fácil
Nem sempre sera bela
Mas seja sempre corajosa
E a viva bem vivida.

Vitória! Vitória chegou!
Nam Myoho Rengue Kyo
Nam Myoho Rengue Kyo
Nam Myoho Rengue Kyo
A vontade brilhou na tua história
O amor a gerou,
Seu destino é sua glória
Em seu nome lê-se: Vitória!

27.1.10

Resposta

Queridos ex-ouvintes,

Tenho acompanhado as manifestações de solidariedade de vocês aqui, e compreendo e compartilho a insatisfação de todos. Apesar de ficar muito tentada a dar nome aos bois, não acho que seja ético. As traições vão sempre acontecer ao longo da vida e a gente tem que aprender a lidar com elas. Não vou responder falta de respeito com falta de respeito. Não acredito nisso. Portanto se vocês desejam se manifestar junto à empresa, tanto pra reclamar quanto pra elogiar, encaminhem à direção artística da rádio. Eles são responsáveis pelo conteúdo do que vai ao ar.

Durante o tempo que estive por lá, todos os e-mails (todos mesmo) sempre foram respondidos. Se o tema em questão não está tento nenhum tipo de retorno à vocês, é porque provavelmente o tiro já saiu pela culatra, mesmo. Não gosto de brigas, conflitos ou coisas próximas disto. Entendo que minha trajetória já foi cumprida, independente da forma como foi feito o desligamento. Só peço que não responsabilizem a Bella por isso, nem cobrem dela alguma atitude à respeito. Ela cumpre ordens e dentre elas, não falar no meu nome é regra máxima. Eles apostam na falta de memória do povo brasileiro.

Mais uma vez agradeço por todo o carinho. Não me esquecerei. Eu tenho memória! Nas minhas orações diárias está o nome do tal sujeito. Torço para que ele evolua nessa existência, até para que ele possa passar algum exemplo digno para os seus descendentes.

Em muito pouco tempo vocês vão ouvir notícias minhas! Por enquanto vocês podem ouvir minha voz nas chamadas de programação do Multishow. E até por isso sou grata à rádio. Só estou no Multishow por causa deles. E fora isso a empresa está repleta de pessoas maravilhosas que merecem os aplausos e reconhecimento de vocês... E fiquem tranquilos, as pessoas boas são maioria.

Obrigada. Um beijo saudoso.
Luiza Sarmento.

10.12.09

Espelho, espelho meu...



O que que há minha amiga?

Tô vendo que a vida te engoliu,
Arrotou, cuspiu;
E ontem nem teve comemoração com porre!
É TPM? O Que te ocorre?
Dá pra perceber que...
Você sucumbiu!

Mergulhou de cabeça
Numa vida sem tempo
A disciplina calou
seu argumento
E o caos nada com você na piscina!
Que loucura! Imagina!

Saia já dessa insalubridade!
Assim você vai gripar!
E pode tratar de arrumar tempo pra malhar,
Meditar, estudar, escrever no blog!
E por favor sem rima pobre,
Sinônimos seguidos,

Vírgulas metralhadas.
Parô com a palhaçada!

Acorda filha!
Não é porque um babaca te demitiu,
Que você vai ficar aí estatelada!
Não gaste seu tempo com isso.
Nem se alimente de rancores,
Eles não alimentam nada!
É caloria vazia, cheinhos de gordura trans.
Se entopem nas artérias do coração.

Antes mesmo de você chegar,
Rimando amores e dores,
Esse mesmo cara aí,
O que te demitiu
Já foi mandado muitas vezes
Pra puta-que-pariu!
E olha, pelo score dele...
Virou guia local!
Recebeu a chave da cidade!
Juro! Verdade!

Tá legal!
Já deu pra curtir uma fossa,
Na boa.
Vira o disco e segue em frente.
(Disco? Fudeu! Tô velha!)
Quer dizer... Troca esse pen-drive!

Quer ouvir qual é a boa?
Lá fora,
Na chuva,
As cigarras cantam
A promessa de sol.
Em sí bemol!

2.10.09

Você sabe com quem está falando?

Engraçado... Faz bem pouco tempo que descobri o meu gosto pela palavra escrita. Sim, porque a falada é óbvia mas a cantada é a minha grande favorita. Apesar disso posso dizer sem pudor, que nunca fui uma pessoa de ler muito.Quem não me conhece e me olha, deve achar que eu passei a vida como uma bela CDFzinha interessante que misturava sua realidade e imaginação, com os livros! Fué, fué, fué...! Bull shit! Essa era a minha irmã mais velha!


Eu tocava mó rebú, mas era simpática no convívio com os adultos, e falava muito, com palavras difíceis e sobre assuntos deveras complexos (que eu mesma não dominava), mas como sempre gostei de música, modulava bem as frases, elas saíam bonitas e acabava sendo sempre bem convincente... Além disso eu era amiga dos meninos e sentava com as meninas malandrinhas do fundo da sala... Como diria meu querido amigo Arthur: "O menos safo corria de tamanco de costas"


É gente... A vida passa, e as coisas mudam! Acho que as pessoas acreditaram tanto que eu tinha essa imagem, de inteligente que eu acabei acreditando mais na minha capacidade, e resolvi me aprimorar. Acho que é por isso que hoje não me envergonho de confessar o meu passado... Mas o fato é que, eu vendo mais credibilidade, que eu pensei que tivesse, e se cola tão bem, devo presumir que algo nisso tudo, não é tão “fake” quanto eu pensei que fosse.


Outra contradição: Meus amigos dizem que tenho cara de gente rica, chique. Acho engraçado, pois minhas origens em Marechal Hermes, não condizem com essa imagem... Mas vão bem com pão com mortadela e refresco! É... Vejo que eu não passo de uma bela mistura entre a cabeça dura, de papai, seu lábios verborágicos, seu “nariz-im(pé)tuoso” e seus olhos marejáveis, com a candura das mãos de mamãe, os acalantos quentes do seu colo e esse maldito quadril largo com bacon extra! Bem... Eu acho que eu não sou nem o que eu penso ser, nem o que os outros pensam, eu sou mesmo bem estranha (no conjunto da obra), mas acho tudo isso muito divertido!

1.10.09

Retratos da minha vida doméstica

Escuto a goteira pingando no azulejo, e visualizo o ponteiro dos segundos... Parece uma contagem regressiva do colapso global, corro para o telefone do bombeiro hidráulico e finalmente concerto o boiler. Ufa! Menos um problema! Agora só falta desentupir o ralo, cortar as pernas dos bancos do bar, e arrumar uma receita com camarão. Internet. Google. Achei!


Então vamos lá: O camarão, manteiga, leite, creme de leite, queijo coalho, queijo ralado, requeijão... Nossa! Será que esse rango não ta muito cremoso? Bem sei lá! Aqui tá dizendo que é chulapa... Cozinhar até corar. Acho que coloquei muita água... É só deixar evaporar, então! Uhuuu! Genial! Quase desfiado de tanto cozimento... Pronto já melou!


Não! Pra tudo nessa vida dá-se um jeito! Vamos para o molho: Leite, manteiga, gordura, artérias, quarenta minutos de esteira... Tá ficando caro! Ai, ai... Não terei eu escolhido a receita errada? Bingo! E de fato depois de um dia cansativo e estressante, eu poderia ter pedido uma pizza e acendido umas velas pro meu jantarzinho romântico. Como não dá pra acertar sempre, tenho que dizer, que costumo me dar muito bem pilotando o fogão, mas ontem...


Duas horas e quarenta e cinco minutos depois, o que era pra ser simples e maravilhoso, virou uma super gororoba, metida a chique, com vários camarões me encarando e dizendo: Como você teve a coragem de nos colocar nessa roubada? Nós morremos pra isso, sabia? Olhei pra carinha do João e tenho que admitir que uma das suas maiores virtudes (honestidade), era tudo que meu ego já não precisava.Tudo bem, tudo bem! Quem nunca cozinhou uma gororoba, que atire a primeira papa! De repente o Jaime Oliver, não esteja nesta lista... mas ele é café com leite.


Puxa vida! Desolada, derrotada e meio enjoada, me rendo! Televisão, filminho pra esquecer a realidade e cama! Como diz o Chico: “amanhã vai ser outro dia”! Retorno ao banheiro, me olho no espelho e me sinto envelhecendo, como se pudesse ver a vida passando a cada segundo... Essa vida doméstica está me matando! ...Segundo?! Puta que pariu! Aquele sem vergonha daquele bombeiro hidráulico me enganou! E o pinga pinga continua...

29.9.09

Casa onze

Quando eu era bem pequena, meus pais fizeram meu mapa astral, quando completei dezesseis anos pude ouvir a interpretação gravada na fita cassete empoeirada, e algumas das coisas alí reveladas... Bem, deixa pra lá, né! Isso é muito pessoal. Mas o que me marcou foi a supresa com que o tal astrólogo proferiu: "Nossa! Ela tem onze planetas na casa onze!". E eu pensava: "What a hell?". Bem... Pra mim, naquele momento essa afirmativa não passava de um grande desequilíbrio... O que se justifica em alguns singelos aspéctos da minha personalidade. Então, logo veio a explicação: "...a casa onze é a casa dos amigos..." - Que Zora Yonara me corrija se estiver errada.

Anos mais tarde com um pouco de pesquisa à respeito, muitos trânsitos astrais e um amigo especializado no assunto (valeu Tião!), pude compreender a magnitude de ter onze dos meus vinte e oito planetas, reunidos naquele cantinho de cima do meu mapa. Penso que se existe um boteco astral, é lá que se toma a cerva, e pelo jeito tá bombando! Logicamente não me faltaram exemplos na vida para compreender esse fenômeno. Quase todas as minhas maiores tristezas e alegrias me foram proporcionadas pelos meu amigos. Sofro junto, sofro por, sofro com. Da mesma forma e intensidade, as alegrias. Acho que é por isso que me dói encontrar algum desgarrado que se perdeu de mim.

Meu pai sempre me dizia, com seu clássico tom filosofal:"Minha filha, a vida é um trem e as pessoas vão e vem". Apesar da rima infame aquela frase me pareceu lógica e triste. "Mas eu quero todo mundo pra sempre!", e ele: "Mas não vai querer isso pra sempre, não!", e só faltou "Aguarde e verás". E não é que o véio tem razão!

Alguns me deletaram, outros deletei, alguma amizades floresceram, outras cultivei e as mais verdadeiras são tipo "Maria sem-vergonha", quando a gente mais se desespera lá está ela! De braços abertos. Mas todo esse papo de astrologia, foi só pra chegar nesse ponto. Não sou o tipo de pessoa workahollic, ou que ama loucamente a família, ou os próprios amores... Mas os amigos... Esses sim! E se eu puder em todas essas áreas da minha vida, encontrar amigos em cada uma delas, fechou!

Por isso tudo, quero prestar uma homenagem aos meu queridos, e dizer: Senhoras e senhores passageiros, desculpe interromper sua viagem. Eu podia estar roubando eu podia estar matando, mas venho aqui humildemente lhes pedir perdão por qualquer ruído na comunicação, pelo que já dei a perceber, se dentro do vagão o em outra estação, quero agradecer, antes de mais nada, a todos que puderam contribuir. Deixo aqui o meu muito obrigada aos somam e somaram e àqueles que pensam que diminuíram.
Gracias!