Não é por quê, e sim
Não maldiga o presente,
Deixe todo dia sua prece para o planeta.
O homem nasce e sofre,
e se alegra,
e sofre,
e cresce,
e sofre,
e se alegra.
E se pergunta se é possível estar para além do sofrimento:
E assim o homem pariu Deus,
(…pelo menos é isso que ele pensa…).
Então ele olha pra fora,
e procura respostas,
mais óbvia: dinheiro.
…e ele trabalha,
e abre mão de (quase) tudo para ter estabilidade.
Ele ganha.
Ele perde.
Ele troca.
E pra grande maioria,
Mais perde do que troca.
Então ele se vê numa encruzilhada:
Ou ele desencana,
e abre uma cerveja,
Ou ele busca conhecimento.
O conhecimento diferente do dinheiro,
só se valoriza ao ser partilhado.
E quando multiplicado,
transborda do ser humano,
E deixa outras marcas na história.
E a história se expande!
E a natureza se encolhe...
E enquanto o homem procura:
Comida,
Dinheiro,
A chave de casa,
Sexo,
Solução para a andropausa,
E fareja pela imortalidade;
se depara com uma resposta:
E se desconfia maior que Deus!
E se depara com outros milhares de mistérios,
E se sente...
humano.
Nova encruzilhada:
Ou ele se ilumina,
Ou se deixa cegar.
E nesse meio tempo
o tempo passa.
E assim…
E assim,
Ele vê a morte chegando,
E avalia o seu apego,
E avalia o seu legado,
E sussurra sua prece,
Ou se desespera,
Ou se emociona,
Ou se conforma,
Ou se entrega,
Ou compreende,
e se despede.
E então no leito do Sim
Hiberna roncando o sonoro Não
Enroscado no lençol um dia manchado,
Nomeia por pecado o tesão e o beijo puro.
E o suculento amor de outrora,
Sequer pinga.
Resmunga o leite derramado em leito.
Hoje seco, hoje duro
Sorrateiramente retira-se do peito despido
Esticando o seu último olhar comprido por sobre os ombros,
Observa os corpos em escombros,
E como sonâmbulo, despista-nos.
Lamenta marchando firme ao horizonte
Levantando o passo como que para livrar-se da sombra
Que náufraga em nós, também nos abandona.
E lá vai o amor caminhando,
Na certeza de que é no mais escuro da noite fria
Que desponta calmo e luminoso
O novo dia.
Quando Saturno despontou
Me encarei, olho no olho
No espelho. Percebi:
Passei a vida
Tateando imagem refletida.
Quando Saturno retornou:
Iludida, pasma,
Sem tocar a mim mesma,
Perguntei:
Quem eu sou?
Onde estou?
Onde andei?
Súbito
O vento mudou,
A terra tremeu,
O céu escureceu
Um tsunami me lambeu!
Quando Saturno me atropelou,
Me toquei:
Levante-se só!
Desejo é o que te move!
E foi assim que minha história começou:
Mirando o espelho,
Olho no olho,
Me repari aos vinte e nove.
Se me pedir pra definir amigo, digo:
O amigo é um sujeito
Que eu quero comigo.
E como não poderia?
Serve pra dor, serve pra alegria
Serve para o amor, serve pras manias.
Amigo serve de montão!
Não precisa ser todo dia,
Não precisa ter um milhão.
Basta dar a certeza,
De um porto seguro,
Um irmão.
Não precisa durar pra sempre.
Às vezes passam na minha vida,
Pra ajudar a curar a ferida,
Pra suportar as tempestades
Ou mesmo nas monótonas calmarias.
Amigo é bom para as noites,
É bom também para os dias
Amigo serve pra deixar a vida leve.
Pois são os amigos,
Do lado esquerdo do peito
Que nos fazem enxergar
Que amigo também tem que deixar
O outro respirar
Senão intoxica
Amigo bom também vai,
O paciênte é o que fica.
E o mesmo bom às vezes volta.
Amizade verdadeira deixa marca
Fica no corpo feito tatuagem,
Rasga a pele feito ferida
Vira um companheiro de viagem
Amigo esperto aproveita a briga
Transforma em crescimento.
Dá pra poesia seu argumento.
E não sei o que de mim seria,
Se algum dia não tivesse vivido,
Ouvido,
Doído,
Moído
Assistido
Meu crescimento
Ao seu lado
Por sua causa.
Por minha causa,
Por nossa grande causa amizade!
Digo de coração
A verdade é que amigo
Eu quero sempre comigo
Para sorrir, Para doer
Para viver,
Para morrer de amor.
Amigo para ver o dia nascer,
Até a vida se pôr.
