10.8.11
Flagrada.
1.6.11
Mantra
8.5.11
Leite derramado em leito.
E então no leito do Sim
Hiberna roncando o sonoro Não
Enroscado no lençol um dia manchado,
Nomeia por pecado o tesão e o beijo puro.
E o suculento amor de outrora,
Sequer pinga.
Resmunga o leite derramado em leito.
Hoje seco, hoje duro
Sorrateiramente retira-se do peito despido
Esticando o seu último olhar comprido por sobre os ombros,
Observa os corpos em escombros,
E como sonâmbulo, despista-nos.
Lamenta marchando firme ao horizonte
Levantando o passo como que para livrar-se da sombra
Que náufraga em nós, também nos abandona.
E lá vai o amor caminhando,
Na certeza de que é no mais escuro da noite fria
Que desponta calmo e luminoso
O novo dia.
`As voltas com Saturno.
Quando Saturno despontou
Me encarei, olho no olho
No espelho. Percebi:
Passei a vida
Tateando imagem refletida.
Quando Saturno retornou:
Iludida, pasma,
Sem tocar a mim mesma,
Perguntei:
Quem eu sou?
Onde estou?
Onde andei?
Súbito
O vento mudou,
A terra tremeu,
O céu escureceu
Um tsunami me lambeu!
Quando Saturno me atropelou,
Me toquei:
Levante-se só!
Desejo é o que te move!
E foi assim que minha história começou:
Mirando o espelho,
Olho no olho,
Me repari aos vinte e nove.